VOCAÇÃO: UM CHAMADO AO AMOR E AO SERVIÇO

Falar sobre vocação é entrar no mistério da vida como dom e resposta. A palavra “vocação” vem do latim vocare, que significa “chamar”. Desde o início da existência humana, Deus chama cada pessoa a viver plenamente sua identidade, a realizar-se no amor e no serviço, conforme o plano único e irrepetível que Ele sonhou para cada um. A vocação não é, portanto, uma escolha qualquer, mas uma escuta atenta e uma resposta generosa a um chamado divino que preenche o coração humano.

A vocação não se limita a um momento específico, como a escolha de uma profissão ou de um estado de vida, mas se estende a toda a existência. Desde o batismo, cada cristão é chamado à santidade, a viver segundo o Evangelho e a seguir Jesus Cristo. A vocação é o caminho por onde Deus conduz cada um a ser aquilo que Ele o criou para ser. Em um mundo marcado por tantas vozes e apelos contraditórios, discernir a vocação é aprender a escutar a voz de Deus no silêncio do coração e nos acontecimentos da vida.

Em Apucarana/PR, neste 09 de Agosto de 2025, celebrando o mês das vocações e o Jubileu: um tempo de peregrinação, perdão e renovação espiritual, na Catedral Basílica Menor de Nossa Senhora de Lourdes, pelas mãos de D. Carlos José de Oliveira, foi realizada a Ordenação Diaconal de 10 diáconos: 6 permanentes e 4 transitórios. Os Diáconos transitórios serão ordenados padres em dezembro. Rezemos para que Deus envie cada dia mais trabalhadores, amorosos e dedicados à vossa messe.

A VOCAÇÃO COMO DOM

Toda vocação é, antes de tudo, um dom. Ninguém “se faz” vocacionado por esforço próprio; é Deus quem chama. A vocação é uma iniciativa divina que requer uma resposta livre e consciente do ser humano. Por isso, ela não pode ser compreendida apenas como uma decisão pessoal ou um projeto autônomo de vida, mas como um diálogo entre o Criador e sua criatura. Nesse diálogo, Deus chama e o ser humano responde.

A primeira vocação que recebemos é a vida. Viver já é uma forma de vocação: somos chamados à existência por amor, e chamados a viver com amor. Ao reconhecer a vida como vocação, aprendemos a ver tudo como dom – o corpo, os talentos, a família, a fé, os encontros, os sofrimentos e as alegrias. Tudo pode ser ocasião de escuta, de discernimento e de resposta ao amor de Deus.

Neste mês das vocações, os parabéns vão para os Padres: José Roberto Rezende, da Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe de Arapongas/PR, que completou 34 anos de Ordenação Presbiteral; para o Pe. Sérgio José de Sousa, da Paróquia Santuário São José de Apucarana/PR, que completou 30 anos de Ordenação Presbiteral; e ao Pe. Adeventino Alves de Oliveira da Paróquia São Sebastiao de Faxinal/PR que completou 41 anos de sua Ordenação Presbiteral. Rezemos para que Deus continue abençoando cada um deles, fortalecendo sua fé e iluminando seus caminhos.

AS DIMENSÕES DA VOCAÇÃO

A vocação se manifesta em várias dimensões: a vocação universal à santidade, a vocação específica a um estado de vida. A vocação universal à santidade é comum a todos os cristãos. Somos chamados a amar como Cristo amou, a viver no mundo como testemunhas da fé, da esperança e da caridade. É nessa base que cada vocação específica se realiza.

As vocações específicas incluem o matrimônio, a vida consagrada, o sacerdócio e a vida laical comprometida. No matrimônio, o casal é chamado a viver o amor como dom mútuo e fecundo, formando uma igreja doméstica. Na vida consagrada, homens e mulheres entregam-se totalmente a Deus, vivendo os conselhos evangélicos da pobreza, castidade e obediência. No sacerdócio, o chamado é para ser pastor segundo o coração de Cristo, a serviço da comunidade. E muitos leigos também descobrem sua vocação ao apostolado, assumindo compromissos pastorais e sociais na Igreja e no mundo.

DISCERNIR A VOCAÇÃO: CAMINHO DE ESCUTA E CONFIANÇA

Discernir a vocação exige escuta, oração e acompanhamento. Ninguém discerne sozinho. A oração pessoal, o contato com a Palavra de Deus, a participação na vida da Igreja e o aconselhamento espiritual são meios fundamentais para reconhecer os sinais do chamado de Deus. Muitas vezes, Ele fala por meio de desejos profundos, inquietações, inspirações e acontecimentos inesperados.

O discernimento vocacional não é um processo mágico ou imediato. É um caminho que exige tempo, amadurecimento, autoconhecimento e disponibilidade. É preciso estar disposto a deixar-se conduzir, mesmo quando o chamado de Deus desafia os próprios planos. O coração aberto e a confiança na Providência são essenciais para quem deseja seguir sua verdadeira vocação.

DESAFIOS E RESPOSTAS NO MUNDO ATUAL

Vivemos em uma sociedade marcada pela pressa, pela superficialidade e pela busca de sucesso imediato. Muitos jovens sentem-se pressionados a escolher uma carreira ou um estilo de vida segundo critérios utilitaristas ou individualistas. Nesse contexto, a proposta vocacional cristã pode parecer exigente demais ou até incompreensível.

Por isso, é essencial que as comunidades cristãs sejam espaços de acolhimento, escuta e testemunho vocacional. A pastoral vocacional tem um papel importante ao promover a cultura da vocação, oferecendo aos jovens oportunidades de encontro com Cristo, de reflexão sobre a vida e de compromisso com os valores do Evangelho. A oração pelas vocações também é uma missão de todo o povo de Deus.

Ao mesmo tempo, é necessário valorizar os testemunhos vocacionais concretos. Quando um jovem vê um padre feliz, um casal unido, uma religiosa realizada, ele se abre à possibilidade de que Deus também o chame. A vocação contagia pela alegria de quem a vive com autenticidade.

A VOCAÇÃO É UM CAMINHO DE FELICIDADE

Muitos pensam que seguir uma vocação é renunciar à felicidade. Pelo contrário, é justamente ao viver segundo sua vocação que a pessoa encontra a verdadeira alegria. Deus não chama para o sofrimento, mas para a realização. Mesmo que toda vocação exija renúncias, elas não são um fim em si mesmas, mas expressão do amor maior que se deseja viver.

Como afirmou o Papa Francisco: “A vocação é uma resposta a um chamado de amor. O Senhor continua a chamar: não deixemos de escutar. Escutemos a voz de Deus que nos chama a algo grande e belo, e abramos o coração à vocação que Ele nos confia” (Mensagem para o 58º Dia Mundial de Oração pelas Vocações). Responder à vocação é dar sentido à vida. É colocar-se a serviço de algo maior. É fazer da própria existência um dom, uma missão, um caminho de santidade.

CONCLUSÃO: UMA VOCAÇÃO, MUITAS RESPOSTAS

Cada pessoa é chamada a viver sua vocação de forma única. Não há receitas prontas, nem caminhos iguais. Mas todos somos chamados a escutar, a discernir e a responder com generosidade ao amor de Deus. A vocação não é um peso, mas uma graça. É o lugar onde o coração encontra paz e onde a vida floresce em plenitude. A pergunta fundamental continua atual: “Senhor, que queres que eu faça?” (At 9,6). E a resposta está no coração de quem escuta, de quem confia e de quem se entrega. Descobrir a vocação é descobrir o próprio lugar no mundo, a missão a realizar e a forma concreta de amar.

Texto de: Pe. Sérgio José de Sousa, OSJ, com ajustes da redação, Paróquia – Santuário São José – Apucarana/PR.

Fotos: da Redação.

PASCOM – Paróquia Santuário São José, Apucarana/PR.

Pe. Adeventino Alves de Oliveira – Paróquia São Sebastião – Faxinal/PR.

PASCOM – Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe – Arapongas/PR.

Vânia Pinelli, PASCOM Diocesana, Diocese de Apucarana/PR.

Movimento Cursilhos de Cristandade – MCC – Arquidiocese de Maringá/PR.

Acesse: https://www.youtube.com/@diocesedeapucarana